sexta-feira, 10 de junho de 2011

Terra Abençoada

Há um país onde toda a gente tem opinião sobre tudo. E não é uma opinião qualquer. É uma opinião segura, carregada de certezas, com a inabalável convicção de quem sabe o que está a dizer, quase uma sentença. É uma terra fantástica repleta de pessoas dotadas, que, num vislumbre conseguem resolver uma qualquer equação, não raras vezes de grande complexidade, que outros comuns mortais, que não foram abençoados pela chama da clarividência, levam anos, a estudar e a experimentar arduamente sem conseguir chegar sequer a uma solução minimamente decente.

Nesta terra abençoada, todos são mais inteligentes do que todos os outros que os rodeiam. Não é por petulância e muito menos por presunção. É fruto de profundas convicções, algo que vem de dentro, quase uma força da natureza que tem que fatalmente se revelar quando as circunstancias assim o impõem. Um desígnio. Ninguém pretende humilhar outrem com a demonstração óbvia da sua natural superioridade, tanto é que as opiniões e os conselhos são dados com um desprendimento quase displicente, com a singela grandeza dos sábios, que não se arrogam da sua sabedoria, apenas a partilham sem procurar reconhecimento.

Há uma impossibilidade matemática na premissa de que todos são mais inteligentes do que todos os outros, no entanto ela resolve-se com facilidade. Encara-se isto como uma saudável competição, em que toda a gente tem os seus momentos de glória, glória essa que não é procurada, mas sim emerge naturalmente no meio de uma imensidão de contribuições, e, sendo efémera, não reside na alma o tempo suficiente para alimentar a chama da vaidade.

No entanto esse paraíso terrenal tem as suas sombras. A maior de todas é a da ignominiosa inveja de todos ou quase todos os outros países, nomeadamente, e particularmente os circundantes, os quais não conseguindo compreender a filosofia de vida desta honrada e singela gente, os caluniam de todas as formas possíveis. Tomam o desprendimento por incúria ou negligência, a flexibilidade das regras de conduta pela ausência regras morais, e pior que tudo a despretensiosa sabedoria por ignorância atrevida e a generosidade opinativa por vaidade egoísta. Também os alicerces da sociedade são severamente criticados, os sistemas de educação de justiça, a economia e até a governação política, são apelidados de negligentes, desfuncionais, desorganizados e, pasme-se, corruptos. A estupidez é a padroeira da maldade e este é um caso sintomático. Mas para que raio é que uma sociedade composta por gente tão sensata e tolerante precisa de um sistema de justiça a funcionar, gente tão naturalmente sábia precisa de sistema educativo para quê? A economia e a política funcionam quando as pessoas são voluntariosas e empreendedoras.

O que esta limitada gente não consegue compreender é que esse país de sábios por não precisar desses sistemas para nada, encara-os como uma ocupação especulativa, onde pode dar livre azo às suas reflexões filosóficas e exercitar a sua mente construindo complexos "puzzles" com a única finalidade de a seguir os desmontar.

Naturalmente que essas privilegiadas criaturas, encaram as críticas com desdém e até com algum sarcasmo. Para o provar, elegeram para máximo dirigente político um cidadão com o nome de um dos mais reputados filósofos da antiguidade, o qual, gozando ainda mais com os invejosos, deu cabal sentido às críticas, satirizando da forma mais sublime o exercício do poder. Prometeu reformas espantosas que deixaram os ranhosos observadores externos perplexos e depois sardónicamente não cumpriu nenhuma. Mais ainda convenceu os imbecis a emprestar dinheiro para executar a ditas e depois gastou-o despudoradamente em futilidades. Irritou-os particularmente, principalmente aos mais idealistas, quando manipulou a opinião pública, dizendo que estava a defender a liberdade de opinião e os princípios mais sagrados da democracia. Depois de muitas patifarias, feitas aos pobres desgraçados, acabou naturalmente o seu consulado político. Naturalmente também não foi reeleito, o que nesse país é habitual pois os seus doutos cidadãos rapidamente se fartam dos seus dirigentes e logo procuram novos desafios.

Mas sublime, foi quando este ilustríssimo político já demissionário, disse com uma modéstia comovente que ia para uma famosa cidade europeia estudar, imaginem o quê...

...Filosofia.

Humm... Duvido que o deixem matricular-se!...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A Boa O Mau e o Vilão

Um amigo dizia-me à tempos que a política portuguesa parece um western spaghetti. Apesar de achar curiosa a observação nunca a tinha levado muito a sério até agora. Mas estes últimos e vertiginosos tempos da politica portuguesa fizeram-me reflectir sobre a inspirada tirada desse meu prezado amigo e desde já tiro o chapéu em homenagem à sua perspicácia, senão vejamos se esta cegada toda não descamba no estapafúrdio e engraçadíssimo argumento de um excelente filme do Sérgio Leone.

A Boa

Francisco Louçã que chegou a pensar em tempos que já lá vão num providencial casamento politico com o Sócrates, quando este lhe cagou em cima ganhou-lhe um ódio de mulher traída tão grande que na tentativa de o mandar embora acaba por embarcar no mesmo comboio que ele. Fez tanta bacorada nos últimos tempos que ou sai ou é empurrado. O saco de gatos que é o Bloco de Esquerda cheio de clivagens e facções é que se arrisca a dar o peido mestre. Eu sugeria para substituir o Louçã a Joana Amaral Dias. Não se lhe conhece particular queda por nenhuma das muitas facções e além disso é uma mulher bastante jeitosa... nessa sua qualidade, pode acalmar as hostes desavindas e até até trazer novos acólitos para o Bloco, entre os (muitos) hirsutos admiradores. No meio desta triste história ela é a BOA!...

O Mau
Passos Coelho não tem experiência de governação o que pelo menos o põe a salvo de críticas. Mesmo assim tem acumulado nos últimos tempos intervenções tão desastradas que penso mesmo que nestas eleições o povo não votou nele mas contra Sócrates. Ainda tem muito tempo para provar sem tem ou não tem valor, mas o que sobressai neste momento na opinião pública é que o homem é mesmo MAU!...

O Vilão

José Sócrates era o Verdadeiro!... O Verdadeiro qualquer coisa conforme as cores políticas e os ódios e ou amores pessoais. A verdade é que o homem era rijo!... Seis anos a levar traulitada por todos os lados, e a enfardar mesmo quando não tinha culpa... É obra. Mesmo assim conseguiu chegar ao fim com um ar cansado mas sorridente e por traz daquela fotogenia grisalha notava-se até algum ar de alívio...
O balanço da "obra" é polémico e a esmagadora maioria dos juízos são feitos por critérios políticos e não técnicos ou seja pouco fiáveis. O verdadeiro juízo foi feito nas urnas e justa ou injustamente o homem sai aos olhos do povo como um VILÃO!...




A Bem da Nação ou A Estupidez na Acção Política

Agora que o "Sapo Cocas" foi "despachado" com guia de marcha (para o Brasil, o que me parece, não ser a primeira vez que acontece com ex-governantes), é tempo de arrumar a casa e polir os móveis que ainda sobram. Imbuído num espírito solidário e patriótico que urge assumir nestes difíceis tempos, e não podendo ficar indiferente na espuma dos dias, enquanto o meu país se afunda inexoravelmente no abismo decidi dar o meu humilde contributo para a resolução dos imbricados problemas do nosso luso torrão.

Assim aqui vai uma proposta que, vale o que vale, mas é dada de forma generosa e com o espírito de missão que todos temos que ter neste inferno quotidiano que é o Portugal contemporâneo.

Proposta para elenco governativo do Dr. Passos Coelho:

PAULO PORTAS: Vice Primeiro Ministro e Ministro sem “Pasta”. Já gastou muita...

ÂNGELO CORREIA: Ministro do Interior. Já o foi no tempo da AD quando a polícia limpou o sebo a dois sindicalistas no Porto. Melhor é impossível...

ISALTINO DE MORAIS: Obras Públicas. Claro, tem obra feita...

DUARTE LIMA: Justiça, é óbvio e dispensa comentários...

EDUARDO CATROGA: Assuntos Parlamentares. O homem tem jeito para negociar, e que diabo, aquele colorido vernáculo vai alegrar a tristonha Assembleia da República...

DIAS LOUREIRO: Negócios Estrangeiros. O homem tá sempre fora...

VALENTIM LOUREIRO: Educação. Os estudantes que mostrem o cu a este que ele extrai-lhes as amígdalas (por trás).

ARMANDO VARA: Ensino Superior, Ciência e Tecnologia. Não é da “área política” mas acho que ele não se importa. Faz-se uma graça ao PS (estes compromissos agradam à Troika) e vejamos, com aquele curriculum, fazer o que já fez, o homem é um cientista. Também pode aproveitar para “tirar” mais uns cursitos...

OLIVEIRA E COSTA: Obviamente, Finanças...

SANTANA LOPES: Cultura. Ministério e não Secretaria Geral. Haja respeito, se não pela cultura, pelo menos pelo Santana.

JOSÉ DE MELLO: Saúde. Fica já entregue.

BELMIRO DE AZEVEDO: Economia. Entrega-se a “pasta” a um “independente” e dá-se o seu a seu dono. Entrega-se-lhe também o Trabalho. Com a quantidade de desempregados que há mais os que aí vêm e os “putos à-rasca” a fugir do país vai dar tão pouco “trabalho” que ele despacha-o nas horas vagas. Ainda pode empregar gente (a recibo verde claro) e quanto à experiência o pessoal do continente que o diga...

ISABEL CARDONA: Segurança Social e Família. Uma pasta para os Democratas Cristãos e uma mulher no Governo, para não me chamarem chauvinista. Fez um trabalho “assombroso” para o Durão Barroso na pasta da Justiça e depois disso ganhou experiência na área da banca e das seguradoras o vai dar muito, muito, muito jeito...

MIGUEL RELVAS: Agricultura e Pescas. Tem um nome vagamente agrícola e acho que ficava bem com umas galochas e uma cana de pesca ou mesmo um capote alentejano e um cajado

O Partido Popular tá mal representado, mas compensa-se nas secretarias de estado (ou até mesmo nas empresas)

Finalmente a cereja em cima do bolo (ou a varejeira em cima do “polícia”)

ALBERTO JOÃO JARDIM: Presidente da Assembleia da República. Tá a piar baixinho seus marfados, cubanos!...

E pronto já fiz alguma coisa pelo meu país...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

C’um olho nu Infinito

“Apenas existem duas coisas infinitas: o Universo e a Estupidez Humana; e quanto ao primeiro não tenho a certeza.”
Dizem que foi o Einstein que disse isto; não sei se é verdade ou mais um “mito urbano” (termo muito em moda), aliás, nem tenho a certeza de a frase ser mesmo assim. Mas, “se non é vero é bem trovato!” (ou seja lá como for que se diz isto em “intalianu”).
Basta olhar à volta para comprovar a veracidade da afirmação; em todos os níveis da sobrevivência humana nos contentamos com o mínimo possível e exultamos com o medíocre, se calhar também não sabemos mais…
Entregamos o nosso bem-estar emocional e o nosso orgulho a um bando de gajos em calções que ganham rios de dinheiro para chutar uma coisa redonda… e de tal forma lhes rendemos as nossas emoções que chegamos a “trocar” a saúde pelos seus momentos de glória; que nós pagamos em lágrimas e eles recebem em Euros.
Entregamos as nossas aspirações espirituais e éticas a sacerdotes concupiscentes e a fanáticos intransigentes que nos impõem a sua limitad(issím)a visão da vida como regra única, básica e iniludível para podermos prosseguir com a nossa vidinha triste de forma “correcta” (claro que em troca por Euros também…)
Entregamos também o bem-estar de toda uma sociedade a uma classe aparte que se dedica desde o berço a aprender os truques de bem dizer coisas doces e melosas para nos fazer sonhar com a (irreal) possibilidade de um futuro melhor. A estes seres entregamos tudo (e mais alguma coisa); gesto retribuído com a implantação de um sistema corrupto que lhes permite acumular Euros (os nossos, claro) e poder, dando-nos em troca… nada!
Realmente não sei se foi o Einstein que disse aquilo ou não, mas também não me interessa; que é verdade É!
Viv’ó Infinituuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

Stress Pré Traumático

Começou à cerca de duas horas aquilo que no nosso radioso cantinho se costuma chamar por "período de reflexão" pré.eleitoral. Ou seja um período de 48 horas onde os portugueses, depois de já terem, "em consciência", decidido em quem vão votar, vão reflectir sem as influências "exteriores" que o "ajudaram" a "decidir" em quem votar, se, devem votar em quem decidiram que vão votar...
Parece difícil mas não é fácil.
Com a desgraceira que prá aì anda mais a que é pintada, o melhor nome para este período é o de "período de stress pré traumático", o que além de sublimar a pieguice hipocondríaca do tuga de sofrer por antecipação, também antecipa uma realidade mais que certa. Não só os problemas a resolver são maus a sério, como o ramalhete de "potenciais revolvedores" é mesmo muito mau, a sério.
O destino tem destas partidas, pelo menos agora ninguém pode dizer que somos um povo pessimista, pá!!...